Centro de Oncologia

Centro de oncologia de caruaru (Ceoc)

 

Estado terá novo hospital em oncologia
 
O Centro de Oncologia de Caruaru (Ceoc) está construindo um hospital referência no combate ao câncer na região Agreste, oferecendo serviço pioneiro em radioterapia, além dos já prestados em quimioterapia. O empreendimento vai possibilitar o atendimento de uma população carente em oncologia, que até então vem sendo obrigada a migrar até o Recife para receber um tratamento completo. Durante a construção do centro médico-hospitalar, que ocupará uma área de 10 mil metros quadrados em Caruaru, será gerada uma gama significativa de empregos.
 
O hospital Santa Águeda, como será batizado em homenagem à protetora das doenças mamárias, deve abrir outras 250 vagas ao longo de sua implantação. A previsão inicial de investimento será de R$ 10 milhões, sendo US$ 650 mil (R$ 1,625 milhão) somente na aquisição do aparelho de radioterapia Acelerador Linear Varian, importado dos Estados Unidos. A realização desse empreendimento contou com apoio financeiro do Eximbank.
 
Diretor-presidente do Ceoc e idealizador do novo hospital, o médico Eriberto de Queiroz Marques ressalta a necessidade de se oferecer um tratamento completo e adequado de alta tecnologia aos pacientes do Interior, que precisavam se deslocar com dificuldade ao Recife, até então a única cidade do Estado onde esses serviços eram possíveis. “É expressiva a quantidade de pessoas que migram para a capital em busca da radioterapia. Isso representa um custo alto para os pacientes com viagens e hospedagem », destaca. O tratamento radioterápico é diário e dura 45 dias. « A implantação desses serviços é um sonho pelo qual se vêm lutando há muito tempo », lembra Eriberto de Queiroz Marques. Há 12 anos, o Ceoc foi implantado em Caruaru, constituindo a primeira unidade especializada em oncologia do Agreste. Sentindo cada vez mais a dificuldade da população em se deslocar em busca de outros tratamentos complementares, o diretor-presidente do Ceoc resolveu investir nesse empreendimento, apostando no potencial médico de Caruaru, cidade que já tem um sólido trabalho nas áreas de patologia, radiologia e rádio-isótopo (cintilografia).
 
Além de possuir qualificação médica e suporte paramédico, Caruaru contará com uma Faculdade de Medicina, cuja construção já foi confirmada. « Tudo isso mostra a importância desse pólo médico do Agreste. Essa junção de forças entre o empreendedorismo na região, a sua potencialidade e a qualificação de seus profissionais, veio possibilitar a real condição para se ter em Caruaru um hospital de referência em oncologia », esclarece.
 
Atualmente, o Ceoc atende 1.200 pacientes por mês. Tendo em vista a previsão de novos casos de câncer para 2006, pode-se dizer que apenas no Agreste mais 4.405 pacientes precisarão do tratamento a partir deste ano. O Santa Águeda trabalhará com todos os convênios, além de receber pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sendo uma instituição privada. O Estado possui 7.918.344 habitantes, sendo 1.993.868 no Agreste, 1.207.274 na Mata, 465.672 no São Francisco e 911.914 no Sertão, conforme dados do Censo 2000 do IBGE.
 
Os empregos a serem gerados no hospital serão nas áreas de saúde, o que inclui médicos radioterapeutas, enfermeiras oncologistas e técnicos de enfermagem, além de secretárias, serventes e dois físicos para o aparelho de radioterapia. Por enquanto, o Ceoc não está recebendo currículos. A construção do hospital deve impulsionar também a criação de vagas em outros setores econômicos de Caruaru e cidades circunvizinhas. « Já existe uma grande expectativa com relação a esse empreendimento. Com certeza, serão criados empregos no setor de hotelaria», diz.
 
Estrutura – Situado no bairro Universitário, em Caruaru, o Santa Águeda possuirá 100 leitos e seis pavimentos. O hospital possuirá serviços de radioterapia, imagenologia e diagnóstico, análise patológica, quimioterapia, fisioterapia, o ambulatorial e o de esterilização. Haverá ainda uma emergência 24 horas com acesso independente, bloco cirúrgico, UTI, uma agência transfusional (banco de sangue), laboratório, uma capela e uma lanchonete. 
O setor de quimioterapia, também com opção de acesso independe ao hospital, contará com quatro consultórios. Outros cinco consultórios funcionarão no serviço ambulatorial. O estacionamento, com vagas para 100 veículos, será contornado por área verde composta de jardim e jardineiras. Os últimos três pavimentos a serem construídos comportarão os 100 leitos.
 
Assinado por Rejane Côrrea Marques e Marcelo Teixeira, o projeto arquitetônico tomou partido do declive do terreno, propondo uma edificação com duas frentes, sendo o acesso principal voltado para a rua Arthur Antunes e acessos de Radioterapia, Imagem e Serviços para avenida Portugal, logo após a Faculdade de Direito de Caruaru. A edificação será leve, revestida de materiais nobres como granito, cerâmica e alumínio composto. Jardineiras externas suspenas e duas marquises revestidas de alurevest (alumínio composto) incrementarão as duas fachadas principais. O prédio contará também com três elevadores de última geração.
 
Radioterapia - A radioterapia age destruindo as células doentes por meio de radiações ionizantes, podendo ser um tratamento exclusivo ou associado a outras intervenções a exemplo da quimioterapia. Em caso de indicação cirúrgica, a radioterapia pode ser feita no período pré, per ou pós-operatório. O resultado desse método depende da sensibilidade do tumor às radiações; mas ele é um dos mais eficazes que existe no mundo para se tratar do câncer. O raio é aplicado sobre um conjunto de tecidos que engloba o tumor, buscando erradicá-lo com menor dano possível às celulas circuvizinhas. Estas serão responsáveis pela natural regeneração da região em tratamento. O equipamento Acelerador Linear Varian (modelo Clinac 600C de 6 MeV) que funcionará no Santa Águeda é o mais moderno produzido atualmente.
 
A radioterapia pode ser aplicada com o objetivo de curar um tumor, reduzi-lo, estabilizar a doença ou aliviar os sintomas. De acordo com Queiroz Marques, a radioterapia é indicada para os cânceres de cabeça, pescoço, colo de útero, sistema nervoso central (crânio e medula), mama. “O Nordeste como um todo é uma região com alto índice de câncer de colo de útero, o que justifica ainda mais a implantação de um serviço de radioterapia no interior de Pernambuco », reforça. O câncer de colo de útero está associado à falta de higiene íntima e principalmente à transmissão do vírus HPV (humain papilome virus), que é sexualmente transmissível. Já o câncer de mama lidera todas as estatísticas de incidêcia dos tumores malígnos.
 
Caruaru: principal Pólo Médico do Interior do Estado
O Pólo Médico de Caruaru é o mais importante do interior do Estado, atendendo 32 municípios vizinhos. Há na cidade dois hospitais estaduais (Hospital Regional do Agreste e a maternidade Hospital Jesus de Nazareno), além do Hospital Municipal de Caruaru e o Hospital São Sebastião, que foi municipalizado. Os privados são a Casa de Saúde Santa Efigênia, o Hospital da Unimed e o Instituto Pernambucano.
 
Outras unidades médicas que se destacam no município são: o Centro de Oncologia de Caruaru, o Prontotrauma, o Centro de Olhos de Caruaru, entre outros, totalizando mais de 200 estabelecimentos médicos.
 
Números do câncer – Mais de 17,6 mil novos casos de câncer devem surgir em Pernambuco em 2006, sendo 7.780 em homens e 9.840 em mulheres. Os dados fazem parte da « Estimativa de Câncer no Brasil para 2006 » , divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Com relação aos homens, destacam-se os cânceres de próstata (2.600), traquéia, brônquio e pulmão (500) e estômago (410). No caso feminino, a mama e o colo do útero, tratados com radioterapia, lideram o ranking de incidência, com 1.930 e 910 novas ocorrências, respectivamente, em 2006. Em terceiro lugar, aparece o índice de cólon e reto, com mais 410 casos. Considerando que a população do Agreste representa aproximadamente 25% da estadual, podemos prever 4.405 novas ocorrências nessa região em 2006.
 
O câncer de colo do útero também ocupará o segundo lugar no ranking de novos casos de tumores malígnos previstos em 2006 para as mulheres nordestinas, representando mais 4.410 ocorrências. O câncer de mama ficará em primeiro lugar entre as mulheres não só do Nordeste (7.120 novos casos) mas também de todas as regiões do Brasil (48.930 mil). Ainda entre a população feminina da região Nordeste, os cânceres de cólon e reto (1.430), estômago (1.380) e pulmão (1.310) ocuparão o terceiro, quarto e quinto lugares, respectivamente, na previsão de novas incidências neste ano.
 
Analisando os homens, o mesmo estudo mostra que, em todo País, o câncer de próstata será responsável pelo maior número de vítimas (47.280), sendo 8.730 no Nordeste. Em seguida, no Nordeste, vêm os cânceres de estômago (2.300), pulmão (2.040), cavidade oral (1.380) e cólon e reto (1.020). Geralmente, o tratamento radioterápico é necessário em 60% dos novos casos de tumores malígnos que emergem no País. Para este ano, o Brasil deverá registrar 472.050 novas incidências de câncer.